Ementa Opinar

Atualiza a Norma Técnica do procedimento de Sondagem Vesical no âmbito do Sistema Cofen / Conselhos Regionais de Enfermagem.


Capítulo Opinar

O Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), no uso das atribuições que lhe são conferidas pela Lei nº 5.905, de 12 de julho de 1973, e pelo Regimento da Autarquia, aprovado pela Resolução Cofen nº 726, de 15 de setembro de 2023, 
 

CONSIDERANDO os Artigos, 6º, 7º, 8º e 11, da Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986, em sua integra, e o Artigo 8º, inciso I, alíneas “g” e “h”, do Decreto nº 94.406, de 08 de junho de 1987;


CONSIDERANDO os termos do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, aprovado pela Resolução nº 564, de 6 de novembro de 2017, ou outra que vier a substituir;


CONSIDERANDO que as práticas de enfermagem devem estar atreladas ao Processo de Enfermagem, no que dispõe a Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024.


CONSIDERANDO o questionamento do Coren-DF no que tange as práticas de enfermagem em sondagem vesical no âmbito da reabilitação de pacientes.


CONSIDERANDO as normativas estabelecidas pela Resolução Cofen nº 728 de 09 de 2023, que normatiza a atuação da equipe de Enfermagem de Reabilitação em seu anexo os parágrafos II e III.


CONSIDERANDO a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecida pela Portaria nº 2.436, de 21 de setembro de 2017 que estabelece a revisão de diretrizes para a organização da Atenção Básica, no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS,


CONSIDERANDO as recomendações emanadas da Consulta Pública realizada pelo Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem;


CONSIDERANDO a Nota Técnica do Cofen nº 001/2023 sobre Práticas Avançadas no Brasil (PAE);


COSIDERANDO parecer de Conselheira do Cofen nº 199/2021;


CONSIDERANDO que a Infecção do Trato Urinário (ITU) representa cerca de 40% das infecções relacionadas à assistência a saúde (IRAS) e resulta em repercussão econômica, sequelas, complicações e danos imensuráveis à população;


CONSIDERANDO tudo mais que consta nos autos do Processo SEI nº  00196.005545/2023-67 e a deliberação do Plenário em sua 573 Reunião Ordinária,


Capítulo Opinar

RESOLVE:


Artigo Opinar

Art. 1º Atualizar e aprovar a Norma que dispõe sobre a Atuação da Equipe de Enfermagem em Sondagem Vesical, em todos os contextos de cuidado, anexa a esta Resolução.


Artigo Opinar

Art. 2º Cabe aos Conselhos Regionais adotarem as medidas necessárias para acompanhar a realização do procedimento mencionado nesta Resolução, visando à segurança do paciente e dos profissionais envolvidos;


Artigo Opinar

Art. 3º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, revogando-se as disposições em contrário, em especial a Resolução Cofen nº 450/2013


Anexo Opinar

ANEXO  da Minuta de Resolução


Capítulo Opinar

PARECER NORMATIVO PARA ATUAÇÃO DA EQUIPE DE ENFERMAGEM EM SONDAGEM VESICAL


Capítulo Opinar

I - OBJETIVO
Estabelecer diretrizes para a atuação da equipe de enfermagem em sondagem vesical, visando à efetiva segurança do paciente submetido ao procedimento.


Capítulo Opinar

II – DEFINIÇÕES
O enfermeiro desempenha uma função importante na assistência de enfermagem relacionada às eliminações urinárias, desenvolvendo ações que vão desde a promoção da saúde até os cuidados agudos. Nas atividades voltadas à promoção da saúde, o enfermeiro implementa processos educativos e atua na promoção do balanço hídrico adequado, prevenindo infecções do trato urinário, cuidando dos exercícios perineais e garantindo a higiene.


Item Opinar

1. Cateterismo vesical intermitente é um método que permite o esvaziamento periódico da bexiga pela introdução de um cateter através da uretra ou de um reservatório urinário criado cirurgicamente (neobexiga) por meio de outro canal cateterizável. É o tratamento de escolha para pacientes com disfunção de origem neurológica ou idiopática do trato urinário inferior, resultando em esvaziamento incompleto da bexiga, objetivando a preservação do trato urinário superior, controle e prevenção de infecções urinárias, melhora da qualidade de vida, promoção da regressão ou estabilização das lesões presentes, além de alterações anatômicas importantes, como o refluxo vesico ureteral.


Subitem Opinar

a) Cateterismo vesical intermitente - Técnica Asséptica (CVI – TE) é realizado por meio de um cateter de uso único estéril, manipulado com técnica estéril.


Subitem Opinar

b) Cateterismo vesical intermitente – Técnica Limpa (CVI – TL) é realizado por meio de técnica e material não estéreis, comumente fora do ambiente hospitalar.


Subitem Opinar

c) Autocateterismo vesical intermitente – Técnica Limpa (ACVI – TL) é o procedimento de inserção de um cateter no canal uretral para esvaziamento de urina, realizado pela própria pessoa acometida por uma disfunção vesical, devidamente capacitada pela(o) enfermeira(o).


Item Opinar

2. Cateterismo vesical de demora realizada por meio de técnica e materiais estéreis. Promove o esvaziamento da bexiga, monitoriza o débito urinário, prepara para cirurgias, realiza irrigação vesical e proporciona continência urinária adaptada ao cateter, visando diminuir o contato da urina com lesões de pele.


Item Opinar

3. Tipos de Sonda 


Subitem Opinar

a. Sonda de Foley: cateter de dupla ou tripla luz, com balão para fixação.


Subitem Opinar

b. Sonda Intermitente: para cateterismo em intervalos regulares e retirada após a drenagem.


Subitem Opinar

c. Sonda de Cateter Duplo Lúmen: para drenagem e instilação de soluções, caso necessário.


Capítulo Opinar

III – COMPETÊNCIAS GERAIS DA EQUIPE DE ENFERMAGEM EM CATETERISMO VESICAL
O cateterismo vesical é um procedimento invasivo que envolve riscos ao paciente, incluindo infecções do trato urinário e/ou trauma uretral ou vesical. Requer cuidados de enfermagem de maior complexidade técnica, conhecimentos de base científica e capacidade de tomar decisões imediatas. Por essas razões, no âmbito da equipe de enfermagem, a inserção de cateter vesical é privativa do enfermeiro, que deve aplicar rigor técnico-científico ao procedimento, auxiliado pelo técnico ou auxiliar de enfermagem.


A presença do profissional de nível médio é imprescindível para a segurança do procedimento, tanto para o paciente quanto para o Enfermeiro que o executa, uma vez que é da responsabilidade do nível médio preparar o material e o ambiente necessário para a execução do cateterismo vesical de alivio e de demora, auxiliar durante o procedimento abrindo material, posicionando o paciente e após o procedimento dando destino ao material utilizado e encaminhando para laboratório quando for coletado material para exames.


Ao técnico e auxiliar de enfermagem competem, ainda, observadas as disposições legais da profissão, realizar atividades prescritas pelo enfermeiro no planejamento da assistência, como a monitoração e registro das queixas do paciente, das condições do sistema de drenagem, do débito urinário; manutenção de técnica limpa durante o manuseio do sistema de drenagem, coleta de urina para exames; e monitoração do balanço hídrico – ingestão e eliminação de líquidos, sob supervisão e orientação do enfermeiro.


O procedimento de cateterismo vesical deve ser executado no contexto do processo de enfermagem e em conformidade com os princípios da Política Nacional de Segurança do Paciente, do Sistema Único de Saúde.


O autocateterismo vesical intermitente deve ser planejado, considerando a ambiência e a capacidade do paciente de realizar o procedimento para, então, o enfermeiro treiná-lo quanto à técnica a ser utilizada. Na impossibilidade do autocateterismo, instruir o responsável pelo paciente.


Capítulo Opinar

IV - RECOMENDAÇÕES


A execução do procedimento de sondagem vesical requer as seguintes ações da equipe de enfermagem, observadas as disposições legais da profissão sobre competências:


Item Opinar

1. Elaborar, rever e atualizar protocolos assistenciais baseados em evidências , com embasamento científico e determinação das atribuições dos profissionais, em conjunto com o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) e demais membros da equipe multidisciplinar, sobre cateterismo vesical, segundo as melhores evidências científicas;


Item Opinar

2. Participar do processo de aquisição do cateter vesical, da bolsa coletora e demais insumos inerentes ao procedimento;


Item Opinar

3. Garantir que somente profissional enfermeiro treinado faça a inserção dos dispositivos urinários, com auxílio do técnico ou auxiliar de enfermagem;


Item Opinar

4. Garantir que os suprimentos necessários para uma técnica asséptica de inserção do cateter estejam disponíveis;


Item Opinar

5. Escolher o cateter de menor calibre possível, que garanta a drenagem adequada, a fim de minimizar ocorrências de trauma;


Item Opinar

6. Seguir práticas assépticas durante a inserção e manipulação do cateter vesical;


Item Opinar

7. Encher o balão de retenção com água destilada, pois soluções salinas ou que contenham outros eletrólitos trazem risco de cristalização após longos períodos, o que pode dificultar a deflação no momento da retirada do cateter;


Item Opinar

8. Higienizar as mãos antes, durante e após a inserção e manipulação do cateter vesical;


Item Opinar

9. Utilizar um sistema de drenagem urinária que possa garantir sua esterilidade, como um todo, com o uso de bolsas plásticas descartáveis, munidas de dispositivos que visam diminuir a incidência de infecção urinária, como válvula antirrefluxo, câmara de gotejamento e local para coleta de urina;


Item Opinar

10. Manter a bolsa coletora abaixo do nível de inserção do cateter, evitando refluxo intravesical de urina;


Item Opinar

11. Obedecer a critérios determinados no protocolo para troca do cateter vesical;


Item Opinar

12. Manter o fluxo de urina descendente e desobstruído, exceto para os casos pontuais de coleta de urina para análise;


Item Opinar

13. Realizar a coleta de amostras de urina para análise com técnica asséptica;


Item Opinar

14. Registrar o procedimento realizado no prontuário do paciente, segundo normas da instituição e respectivo conselho, devendo conter minimamente: data e hora da inserção do cateter, identificação completa do profissional que realizou o procedimento e data e horário da remoção do cateter;


Item Opinar

15. Substituir o sistema de drenagem quando houver quebra na técnica asséptica, desconexão ou vazamento;


Item Opinar

16. Revisar regularmente a necessidade de manutenção do dispositivo, removendo-o assim que possível;


Item Opinar

17. Identificar e monitorar os grupos de pacientes suscetíveis a infecção do trato urinário;


Item Opinar

18. A prescrição para o cateterismo vesical é de competência do profissional médico e do enfermeiro, em conformidade com os protocolos institucionais;


Item Opinar

19. Utilizar os indicadores de monitoramento da sondagem vesical, objetivando aferir a qualidade da assistência e as atividades dos serviços:

Indicadores de Monitoramento:


Trauma do trato urinário Incidência de Trauma de TU = nº de pac. Com trauma uretral no mês x 100
                                                                                               nº total de pac. Sondados por mês


 Incidência de Perda de CVD = nº de perdas de CVD dia x 100
                                                nº total de pacientes com CVD/dia


 Incidência de Obstrução de CVD = nº de cateteres obstruídos por dia x 1000
                                                              nº total de pac. com CVD/dia


Fixação inadequada do cateter vesical  = nº de cateteres fixado inadequado/dia x 1000
                                                                      nº total de pac. com cateter vesical dia


 Índice de ITU = nº de pacientes com ITU pós CV/dia x 1000
                                  nº total de pac. com CV no dia


Item Opinar

20. Implementar um programa de educação permanente para toda equipe de enfermagem, com o intuito de que o procedimento seja realizado com conhecimento técnico-científico, de forma segura para a redução de danos ao paciente.


Item Opinar

21. Etapas e responsáveis pelo procedimento:


Subitem Opinar

a) Preparo do material para realização do cateterismo vesical: Enfermeiro,  Técnico e Auxiliar de Enfermagem


Subitem Opinar

b) Preparo do ambiente para realização do cateterismo vesical: Enfermeiro, Técnico e Auxiliar de Enfermagem


Subitem Opinar

c) Posicionamento do paciente para a realização do cateterismo vesical: Enfermeiro, Técnico e Auxiliar de Enfermagem


Subitem Opinar

d) Auxílio durante a realização do cateterismo vesical: Enfermeiro, Técnico e Auxiliar de Enfermagem


Subitem Opinar

e) Execução do cateterismo vesical:  Enfermeiro (privativo)


Subitem Opinar

f) Destino correto do material após a realização do cateterismo vesical: Enfermeiro, Técnico e Auxiliar de Enfermagem


Subitem Opinar

g) Levantamento de anormalidades durante o procedimento: Enfermeiro, Técnico e Auxiliar de Enfermagem


Subitem Opinar

h) Anotação do cateterismo vesical no prontuário: Enfermeiro, Técnico e Auxiliar de Enfermagem


Subitem Opinar

i) Evolução do cateterismo vesical e avaliação dos resultados esperados: Enfermeiro (privativo)


Capítulo Opinar

V – REFERÊNCIAS

  • BRASIL. Decreto n° 94.406, de 08 de junho de 1987. Regulamenta a Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986, que dispõe sobre o exercício da enfermagem, e dá outras providências. Brasília, DF, 1987. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/decreto-n9440687_4173.html. Acesso em: 14 jan. 2025.

  • BRASIL. Lei n° 5.905, de 12 de julho de 1973. Dispõe sobre a criação dos Conselhos Federal e Regionais de Enfermagem, e dá outras providências. Brasília, DF, 1973. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5905.htm. Acesso em: 14 jan. 2025.

  • BRASIL. Lei n° 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem, e dá outras providências. Brasília, DF, 1986. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7498.htm. Acesso em: 14 jan. 2025.

  • CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução Cofen n° 564, de 06 de novembro de 2017. Aprova o novo Código de Ética de Enfermagem. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-5642017/. Acesso em: 14 jan. 2025.

  • CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução Cofen n° 736, de 17 de janeiro de 2024. Dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem em todo contexto socioambiental onde ocorre o cuidado de enfermagem. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-736-de-17-de-janeiro-de-2024/. Acesso em: 14 jan. 2025.

  • DIAMENT, Décio; SALOMÃO, Reinaldo; RIGATTO, Otelo; GOM, Brenda; SILVA, Eliezer; CARVALHO, Noêmia Barbosa; MACHADO, Flavia Ribeiro. Diretrizes para tratamento da sepse grave/choque séptico – abordagem do agente infeccioso. Diabras Ter Intensiva, v. 23, n. 2, p. 134-144, 2011.

  • FONSECA, Patrícia de Cássia Bezerra. Infecção do trato urinário associado à sondagem vesical numa unidade de terapia intensiva.

  • MOLLER, Gisele; MAGALHÃES, Ana Maria Müller de. Banho no leito: carga de trabalho da equipe de enfermagem e segurança do paciente. Texto & Contexto Enfermagem, Florianópolis, v. 24, n. 4, p. 1044-1052, 2015. Disponível em: https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/131355. Acesso em: 14 jan. 2025.

  • POTTER, Patricia Ann; PERRY, Anne Griffin. Fundamentos de enfermagem. 9. ed. Elsevier Brasil, 2018.

  • PRADO, Maria Lúcia et al. Fundamentos para o cuidado profissional de Enfermagem. 3. ed. Florianópolis: UFSC, 2013. 548 p.

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